Durante quanto tempo mais os responsáveis pela área da protecção civil vão considerar que as desculpas são a solução para esta tragédia?

Desde miúdo, e isto é que é infantil e de educação básica, que me instruíram que as desculpas não se dão: evitam-se, previnem-se. Neste caso, pouco nos importa se o governo A, B, ou C tem bons propósitos mas que não os leve avante. Estamos fartos que se olhe para trás à procura de justificações para a mortandade a que fomos sujeitos durante esta época de incêndios.

Evitei propositadamente atribuir a uma estação do ano o risco maior de incêndios porque os deste fim de semana ocorreram em pleno outono com tempo de verão. O calendário meteorológico não combina com as datas estipuladas para cada uma das 4 estações do ano.

Abandonaram há décadas o interior do país, borrifaram-se, pois é diminuta a expressão destas regiões nos sufrágios eleitorais mais significativos e os resultados estão à vista.

Mas vamos para aspectos mais práticos de proteção Civil. Há nas juntas de freguesia, nos concelhos, nos distritos planos de contingência para tragédias previsíveis? Insisto em previsíveis porque estes planos existem desde que atempadamente sejam estudados, divulgados e sabidos pela população, insistindo junto dos cidadãos para a prevalência da vida ao invés dos bens materiais. Ninguém gosta de perder a sua casa, mas que significado ela terá se na sua defesa morrermos?

Estamos próximos de 100 mortes. Vou repetir, cerca de uma centena de portugueses perderam a vida nestes incêndios por todos os motivos facilmente analisáveis. Crime, descuido, falta de um plano de ordenamento da floresta, interesses dúbios com a madeira, paraquedas incendiários, chamem-lhe o que quiserem.

Num curto espaço de tempo achámos que com aspirinas tratavamos um cancro.

Ao sr. Presidente da República exige-se uma posição firme, imediata e menos contemplativa. Os partidos políticos estão obrigados a um pacto de regime com o acordo de todos, sem aproveitamentos demagógicos e populistas. Uma espécie de reunião com um único fim à vista. Medidas com efeito imediato assumidas por TODOS, inclusive pelo Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

É o país que está consumido por um rol de incompetência. Lembro que o governo declarou para este fim de semana a calamidade pública que “limita a circulação de pessoas e veículos e define perímetros de segurança” e como as tragédias tornaram a suceder é porque tudo não passou de um simples pró-forma.

O luto nacional é insuficiente para reparar a vergonha que sentimos por estarmos uma vez mais a chorar as mortes dos nossos compatriotas.

E agora, alguém terá coragem para pedir à sociedade civil, aos portugueses, para contribuirem na reconstrução destas populações quando ainda se mantém debaixo de um manto de dúvidas a ajuda dirigida para as vítimas do incêndio de Pedrógão Grande e concelhos vizinhos?

Neste estado é impossível prosseguir ou terá de ser o povo a dar o exemplo, como outrora já o fez em momentos da nossa história?

 

 

Fotografia: Lusa.