É o verbo como dizem as escrituras, e foi preciso conjugarem-se muitos fatores para que integrasse a história dos 25 anos da SIC.

Talvez tenha sido o último grande projecto lírico da comunicação social portuguesa. Primeiramente um empresário para arriscar, Francisco Pinto Balsemão, depois um provocador perfeito capaz de nos convencer que a Lua não estava tão longe quanto nos parecia, Emídio Rangel.

A oportunidade surgiu em Janeiro de 1993, trabalhava na Rádio Energia e na TSF, e para preencher uma lacuna na redação, faltavam jornalistas no desporto, fui a uma prova de sim ou sopas, a convite do “irmão” Nuno Santos, com aquele que viria a ser meu chefe e um grande amigo, Jorge Schnitzer.

Depressa percebi o espírito, a vaga demolidora que nos arrastava qualquer que fosse a ideia do Rangel. Não existiam limites para sonhar, e vivendo numa época de larguezas económicas, tudo era feito à grande, sem limitar o sonho. E assim que a SIC atingiu o apogeu com mais de metade do portugueses a optarem por nós, um resultado inimaginável nos dias de hoje, acreditámos que era possível crescer mais ainda com os canais temáticos que conhecemos após o sucesso do projecto SIC noticias.

Não é ingenuamente que utilizo a primeira pessoa do plural, Nós, para qualificar o sentimento generalizado. Sentíamos um espírito de grupo imbatível, inquebrável.

Eu agarrei aquela oportunidade como uma bóia nas mãos de um náufrago. Estagiei o que hoje sou profissionalmente com algumas das maiores referências da comunicação social, portuguesas e estrangeiras. Absorvi cada minuto com um fascínio tal que o mundo poderia acabar amanhã que ostentaria o orgulho de ter pertencido àquele projeto, àquele grupo, àquela gente.

Já lá vão muitos anos de distância desde a minha entrada na minha querida RTP, estação que me permitiu prosseguir o sonho do garoto de 25 anos que arriscou em Carnaxide, cheio de receios contudo repleto de vontade. Hoje é dia de recordar apenas bons momentos e de dar, com júbilo, os parabéns  “à sua televisão independente…SIC…SIC…SIC”.