Ontem, por mero acaso profissional, cruzei-me com um dos muitos portugueses maiores, anónimo, com uma história incrível que nem a internet especializada consegue lembrar com a exatidão que um acto heróico desta natureza merece.

Quem vêem na foto tem por ora 81 anos, chama-se David Alves Pereira, e foi durante anos sapador do bombeiros de Lisboa.

A 11 de Dezembro de 1960 estava de serviço no aeroporto de Lisboa e o movimento aéreo era infinitamente menor do que os céus agora revelam. Portanto qualquer avião que aterrasse na Portela era acompanhado com curiosidade e cuidados que justificavam todas as medidas de segurança.

O voo do Douglas C-54G-5-DO, da Força Aérea brasileira suscitava, no entanto, uma atenção redobrada. Nele, para além dos 9 tripulantes, constavam os corpos de militares brasileiros caídos em Itália, durante a segunda guerra mundial. Viajavam de volta para o Brasil para serem honrados pelas autoridades.

Ao fazer escala em Lisboa, o avião, ao fazer-se à pista, bateu com demasiada força. O trem de aterragem do lado direito entrou pela asa e incendiou-a. O aparelho partiu-se ao meio.

A tripulação saiu ilesa exceptuando um dos pilotos que ficou gravemente ferido.

Com o avião em chamas entrou em acção este português maior. Hoje com 81 anos conta ainda com muita emoção a operação onde esteve envolvido: “…e estava tudo em chamas. Ninguém se atrevia a entrar naquele inferno. Vesti o fato de amianto e lá fui para aquele braseiro retirar as urnas em perigo. Recuperámos todas. Até recebi uma condecoração do Presidente do Brasil.”

Este herói nacional vive em Anadia, no centro social de Avelãs de Cima, e é a prova, em vida, da necessidade destes programas em direto fora dos grandes centros. Há recompensas que só as ganhamos se cumprirmos o serviço público de televisão.

Obrigado pelo seu exemplo sapador, David Alves Pereira.