Maldito inferno

Apesar de estar a quase 1000 kms do Continente e de férias, não deixo de estar atento à actualidade. E como qualquer outro português minimamente informado, torno a ficar perplexo como o inferno dos incêndios. Até a nossa principal auto-estrada ficou cortada. É o nosso património florestal que está em causa, uma das maiores riquezas do país que arde sem parar, com razões diversas e tormentos imensos para quem reside próximo ou se sustenta da agricultura vivendo no cada vez mais despovoado interior.

São muitos poucos os votos que garantem estas zonas do nosso território, e de pouco valem as promessas contínuas do poder central, mesmo em ano de autárquicas, porque são cada vez menos os que acreditam nos discursos pomposos e nas desculpas esfarrapadas que olham sempre para o passado para justificar a tragédia do presente.

É inaceitável que as comunicações não funcionem recorrentemente sem que alguém tome uma decisão. Por motivos declaradamente mais fúteis já se rasgaram contratos. Rapidamente se mudam chefias de cadeiras sem a cautela devida. É injustificável que se afastem lideranças operacionais apenas porque muda um governo, sem que se observe a valência de quem ocupa os cargos. O mérito não tem cor de cartão de militante do partido A ou B.

Quanto aos pirómanos, é preciso não esquecê-los, a brandura da justiça e de quem produz a lei, a Assembleia da República, necessitam de uma reflexão. E que tal uma aplicação prática para este crime? Nada de olho por olho que a civilização já avançou o suficiente para percebermos que tal não traz resultados pedagógicos. Proponho então, limpeza de florestas 8 horas por dia, durante a pena aplicada, com direito a pausa para almoço e tudo.

Por último, uma palavra de louvor para os do costume. Os incansáveis bombeiros que enfrentam este medonho inimigo, dia após dia numa batalha desigual, num heroísmo extremo, que mesmo obtendo qualquer benesse tributária, ou laboral, nunca serão suficientes para compensar o risco que correm.

Obrigado pelo vosso sentido cívico que devia fazer corar de vergonha qualquer responsável com atribuições governativas deste, doutro, ou de um futuro governo que mantenha isto tal como está. Assim, há anos que já percebemos, não dá para continuar.

Como escreveu a poetisa Elisa Lucinda numa das suas mais brilhantes criações…”Sei que não dá para mudar o começo mas, se a gente quiser, vai dar para mudar o final.”

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