Será moda?

Passam os dias e as notícias que envolvem Portugal e os portugueses continuam surpreendentemente positivas. Serão passageiras? Uma conjugação astral tremenda alinhada num desígnio de perfeição como há muito não se via? Ou estaremos a colher as consequências de um investimento sério, de empenhamento profissional profundo, com alguma sorte à mistura, e uma capacidade ancestral para nos adaptarmos aos imponderáveis da vida?

Existirão muitas razões e teses para concluirmos que estes tempos “agradabilis”, em contradição com os anos “horribilis” depressivos que tanta miséria e desgosto provocaram aos portugueses, mais não são do que uma montanha russa a que chamamos vida.

À velocidade da luz passamos da depressão à euforia, e na mesma ordem de grandeza invertemos o processo. O meio termo nunca foi prática comum entre nós.

Pois esta nota introdutória serve apenas para justificar-vos o quanto me agrada, SEMPRE, os feitos dos meus compatriotas – calhei nascer em Portugal – nunca deixando de apreciar o mérito de outros talentosos de outras nacionalidades, porém evitando comparações porque isto de ser luso deu muito trabalho a conquistar.

É como comparar os nossos filhos com os filhos dos outros. A emoção arrasa-nos a razão. Até podemos reconhecer os defeitos, ralhar com os disparates mas na hora da verdade temos – alguns – sempre colo para os que mais estimamos.

É o que sinto com José Mourinho. Fico com o coração derretido cada vez que o “Special One” arrecada mais um troféu. Os números das conquistas estão ao dispor de todos e fazem dele um dos deuses da bola, mesmo legitimando que alguns dos seus actos possam ser excessivos, algo sobranceiros.

Não consigo ficar indiferente a alguém que passou de filho do guarda-redes Félix Mourinho, ao José do mundo, que enfrenta olhos nos olhos qualquer profissional do seu ofício sem temor.

Que os seus exemplos, os de José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Lenny Cunha, Lobo Antunes, Fernando Pessoa, Salvador Sobral, cientistas, arquitectos, simples operários, o procedimento por deficit excessivo, distinguidos além e aquém fronteiras, nos inspirem para aproveitarmos esta notória fase afirmativa do país.

É bom nunca esquecer a fábula da cigarra e da formiga, porque a vida é como a lua. Também tem fases.    

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