Murro no estômago

A noite de ontem foi um carrossel de emoções.

Comecei por participar num concerto solidário para dar mais um sorriso ao Gonçalo, em Lousada.
O Gonçalo sofre do síndrome de Moebius, um distúrbio neurológico extremamente raro. Decorre do desenvolvimento anormal dos nervos cranianos. Várias células do cérebro, dos músculos do rosto, morrem o que leva à perda total ou parcial dos movimentos da face, dizimando as expressões e a motricidade ocular.

Os pais, Filipa e Sérgio estão a juntar dinheiro para conseguir levar o Gonçalo até ao México onde se efectua uma cirurgia, única no mundo, para melhorar a qualidade de vida do pequeno.

As despesas desta viagem e operação rondam os cem mil euros, e os pais do Gonçalo desdobram-se em iniciativas para conseguir atingir este valor. Ontem, segunda à noite, o auditório, em Lousada, estava repleto para um concerto solidário que permitiu juntar mais uma ajuda, quando ainda falta cerca de metade do valor necessário. O valor foi angariado junto dos pais dos colegas do Gonçalo, do Colégio S. José de Bairros, numa noite repleta de altruísmo e cidadania participativa onde não faltou a representação da câmara municipal.
Acabou tarde para todos mas ninguém arredou pé até ao último momento daquele espectáculo de amor. E o quanto custa à nossa consciência colectiva estes pais terem de pedir dinheiro para proporcionar saúde a um filho?

Rondava a uma da manhã quando aterrei no meu sofá em casa, com os meus anjos a dormir. O dever profissional fez-me carregar no botão do comando, e a assistir até às tantas à tragédia provocada por mais um louco criminoso que decidiu explodir-se num concerto repleto de crianças, como o Gonçalo, ou como o Pedro, a Madalena, a Mariana ou o Duarte.
Que miséria humana pode levar alguém a descarregar o seu ódio sobre inocentes que apenas cumpriam um desejo tão frívolo como cantar em coro as musicas da Arianna Grande?
Salman Abedi de 22 anos, apenas 22, é filho de refugiados líbios, nascido em Manchester, com uma vida inteira pela frente que escolheu este lamentável fim arrastando pais e familiares para uma dor eterna…pois que seja no céu, que tantas vezes lhes é garantido como prémio por se suicidarem, que as 22 vitimas lhe perdoem a loucura, dando-lhe a mão, como ontem à noite todos demos a nossa ao Gonçalo.

As bombas nunca rebentarão a esperança das pessoas de boa vontade, e de bom coração.

 

 

 

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