O acidente que em novembro passado vitimou 71 das 77 pessoas que seguiam no avião que transportava a equipa do Chapecoense chocou-nos a todos.

Ainda para mais, depois de se saber que foi erro humano, e que erro… errar todos erramos, mas um mau cálculo de combustível não cai bem a um profissional da aviação e deixou o mundo em choque.

Ontem vi uma entrevista feita ao guarda-redes da equipa, o sobrevivente Jackson Follman… fiquei emocionado e impressionado. Mostrou uma força incrível e disse palavras que nem todos seriam capazes…

Follman foi submetido a várias cirurgias e amputaram-lhe parte da perna direita. Aos 24 anos vê a sua condição física diminuída, e nunca mais poderá jogar futebol. Não deve ser de todo fácil encarar esta realidade. É um miúdo!

Explicou, sempre emocionado, do que se lembra do acidente… Que se aperceberam que alguma coisa não estava bem, que ficaram às escuras e que, a partir daí, todos rezavam dentro do avião. Sentiu o embate e “apagou”. Passado algum tempo acordou, as dores nas pernas eram insuportáveis, gritou por socorro e o socorro chegou.

Depois disto só se lembra de acordar no hospital, com a mãe a chorar ao seu lado. Depois veio a notícia da amputação e de cair em si e ganhar a consciência que a vida como a conhecia até ali não ia voltar mais. Tudo isto deve ter sido um sufoco grande, inimaginável.

Mas o que mais me impressionou ontem nas palavras deste rapaz foi o que respondeu quando lhe falaram da forma como o acidente ocorreu… o piloto facilitou, fez mal as contas ao combustível e matou 71 pessoas… Perguntaram se sentia raiva deste homem por estar naquela situação. Follman manteve a calma, e explicou: “Não. Não sinto raiva. Errar todos erramos. Não posso sentir raiva, não devo sentir raiva, nem quero sentir raiva”. Esta resposta é de uma grandeza que nos deixa diminuídos… Será que seríamos capazes de ter a mesma postura se víssemos a nossa vida descambar como a dele?

O ser humano nem sempre tem esta capacidade. E por isso achei incrível que um miúdo de 24 anos escolha viver, sem ficar preso a raivas que com certeza o iriam consumir o resto da vida.

Uma lição de vida!

Follman quer agora recuperar, adaptar-se à nova condição e casar. Desejo-lhe que tudo lhe sorria daqui para a frente.

 

Leiam também: