Trabalhar em comunicação é aquilo que adoro fazer, mas ser apresentador de televisão tem os seus sobressaltos, acreditem!

A confiança para fazer um programa em directo é algo que se vai ganhando com os anos, mas ainda hoje surgem situações em que me vejo grego para pensar rápido e dar a volta a situações de forma natural e descontraída.

Como se costuma dizer, the show must go on!

Aliás, lembro-me de um episódio do arco da velha que me aconteceu quando ainda apresentava a Roda dos Milhões, na SIC. Esta é mesmo daquelas histórias que está no top das minhas maiores peripécias como apresentador de televisão.

Todas as segundas-feiras fazíamos milionários com prémios muito diversos, e um deles pressupunha que a pessoa comprasse uma raspadinha que podia dar direito a ir a estúdio rodar a Roda dos Milhões.

Bom, estávamos nós em pleno directo, a pessoa entusiasmada, e a bolinha que estava dentro da roda saltou e foi a rebolar para debaixo do cenário!

Foi tudo ao molho e fé em Deus a correr ver o que tinha acontecido à bolinha que podia ditar a sorte do concorrente. Equipa técnica, equipa de produção, público, toda a gente azafamada a espreitar por baixo do cenário a ver se conseguia salvar a situação e eu ali a tentar manter o controlo de tudo.

Eis senão quando, após se ouvir um grito estridente, salta um gato todo eriçado, e todos os voluntários se puseram em debandada a toda a velocidade.

Depois de busca aturada lá se encontrou a bolinha e se fez mais um português feliz, mas vocês nem imaginam a aflição que foi manter tudo a rodar sem paragem para intervalo, só no improviso.

Foi mesmo um teste à minha capacidade de manter a calma e de gerir bem a situação em directo. Digo-vos mais: só este episódio valeu por meses de experiência como apresentador de televisão!

É claro que no final toda a equipa acabou a rir às gargalhadas com o insólito da situação. E ainda hoje não sabemos de onde apareceu o gato.

 

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