O dia 21 de Março de 1960 é um dia muito especial para os amantes do automobilismo e em especial da Fórmula 1. O dia em que nasceu um dos maiores ídolos deste desporto automóvel. Ayrton Senna da Silva faria hoje 56 anos.

Tive poucos ídolos ao longo da vida. Ayrton da Senna foi um deles. Tinha uma capacidade única que só os grandes têm e que me colava à televisão todos os fins-de-semana, religiosamente, observando ansiosamente o arranque na grelha da partida e as fabulosas ultrapassagens, especialmente em piso molhado.

Ayrton era um apaixonado por velocidade desde criança. Começou no kart com apenas 4 anos de idade e com 7 já treinava no Kartódromo de Interlagos, em São Paulo.

Daí até chegar à Fórmula 1, foi uma ascensão meteórica – e previsível para todos aqueles que foram acompanhando a sua carreira desde cedo. Havia algo em Ayrton que nos fascinava. Um brilhantismo, uma vontade, um querer vencer, uma audácia de alguém que não se inibia de correr riscos para chegar a um objectivo maior, para se superar dia após dia. E era isso que mais admirávamos! Essa garra, essa coragem!

Era isso que o diferenciava dos outros pilotos. Na altura corria-se muito pela estratégia. Podia-se chegar em segundo, terceiro ou quarto. Não valia a pena correr muitos riscos, porque o essencial era a regularidade, o importante era controlar as corridas, pontuar e vencer o campeonato.

Senna era diferente. Ayrton queria sempre ganhar. A pole position, cada uma das voltas do circuito, a corrida, o campeonato! Queria ser sempre o primeiro. Bater todos os recordes. E era nas situações mais adversas, nas manobras mais arriscadas, que o talento do piloto mais se mostrava ao mundo.

A carreira de Senna na Fórmula 1 começou em 1984, na Toleman, uma scudderia sem grande visibilidade, mas que lhe garante o salto para a Lótus, um ano depois. E é em 1985, ao volante da Lotus, que ganha o primeiro Grande Prémio, no autódromo do Estoril. A primeira vitória de muitas!

Em 1988, transferiu-se para a McLaren, equipa com a qual foi campeão naquele mesmo ano. Iria repetir o feito mais duas vezes, em 1990 e de novo em 1991. Conquistou o segundo lugar geral nos campeonatos de 1989 e 1993.

Durante esse tempo, construiu algumas rivalidades históricas. Primeiro com Nelson Piquet, depois Nigel Mansel, e por último com Alain Prost. Eu sempre fui da facção de Prost, mas a verdade é que os números e espectacularidade do Sena fizeram dele um gigante!

A rivalidade com Prost foi talvez das maiores a que se assistiu na modalidade desde Nikki Lauda e James Hunt. Quem não se recorda do GP do Japão e do acidente entre Prost e Senna, que garantiu o terceiro título ao piloto francês?

Senna conseguiu voltar para a pista com a ajuda dos fiscais de prova e venceu a corrida, mas Prost recorreu ao presidente da FIA, Jean-Marie Balestre, para desclassificar Senna e assegurar o campeonato. A relação entre os dois pilotos azedou bastante e nunca mais foi a mesma.

As manobras de Senna ficaram para a história e talvez nenhuma seja tão emblemática como a 1ª volta no circuito de Donnington, em Inglaterra, em 1993. Um circuito considerado especialmente difícil e sem momentos ou locais de ultrapassagem. Até Ayrton Senna provar o contrário e fazer o impossível!

Além de ser um excelente piloto, Senna foi também um excelente ser humano que não punha as vitórias à frente de valores mais altos, como o da vida humana!

Em 1992, durante os treinos no GP da Bélgica, o piloto Erik Comas sofreu um acidente grave e ficou inconsciente, dentro do carro, no meio da pista. Ayrton Senna foi o único piloto que parou e correu para salvar o piloto francês.

Ayrton criou também a estrutura de uma organização dedicada às crianças pobres brasileiras, que mais tarde se tornou o Instituto Ayrton Senna.

Penso que não há ninguém que não se lembre daquele dia fatídico, no dia 1 de Maio, no circuito de Immola, em Itália, em que Ayrton Senna bateu a mais de 300 Km/h na barreira de concreto, na curva Tamburello. Todos parámos de respirar. Não queríamos acreditar no que estávamos a ver!

Senna foi removido de seu carro e recebeu os primeiros socorros ainda na pista , antes de ser levado de helicóptero para o Hospital Maggiore onde, poucas horas depois, foi declarado morto.

“Eu não temo a morte. Um dia ela virá. É a única certeza na vida. ” (Ayrton Senna)

O Campeonato do Mundo começou este fim-de-semana na Austrália. Hoje em dia há pilotos fantásticos também mas deixo-vos um vídeo de homenagem a este piloto extraordinário:

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