O doping tecnológico está a matar o Ciclismo

Sou de uma geração que teve a sorte de ver não só o inigualável Joaquim Agostinho fazer história, mas também Fernando Mendes, Marco Chagas, Acácio da Silva, Vítor Gamito, Cândido Barbosa, Venceslau Fernandes, Joaquim Gomes, e mais recentemente José Azevedo, Sérgio Paulinho e o fabuloso Rui Costa (perdoem-me se me esqueci de algum nome… São tantas as nossas glórias no ciclismo!).

Não sei quantas horas passei, pregado à televisão, a acompanhar cada pedalada da Volta à Portugal ou do Tour de France, como se fosse eu a fazer o esforço de cada metro conquistado na subida da Senhora da Graça.

Por isso mesmo, entristecem-me os recentes escândalos de doping que têm assombrado a modalidade. Primeiro o doping humano, o escândalo e a queda do ídolo Lance Armstrong, e agora o “doping tecnológico” ou “doping mecânico”.

A ciclista belga Femke Van den Driessche foi apanhada com uma bicicleta alterada com um pequeno motor auxiliar, escondido no tudo vertical do quadro da bicicleta, que lhe permitia exercer menos força ao pedalar, obtendo assim uma melhor performance.

O recurso ao doping tecnológico é punido, desde o ano passado, com uma suspensão mínima de seis meses e uma multa superior a 180 mil euros, mas a questão aqui é muito mais do que a punição. Há quem considere o doping mecânico ainda pior do que o recurso a substâncias ilícitas. Vocês concordam?

Sinto que o doping – o humano e tecnológico – está a matar a modalidade. A matar o desporto, o “jogo limpo” e essa emoção pura de partilhar a estrada, o sentimento de pertencer a uma família, a competição saudável. Mas nós, os amantes do ciclismo, do verdadeiro, do ético, não vamos deixar! Matar, ninguém mata o ciclismo. Como disse o Artur Lopes, Presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, ” O ciclismo está na alma do povo e a alma não se mata”.

Há muita gente séria no ciclismo português e também no ciclismo mundial. Por isso, é preciso voltar a valorizar os princípios do desporto, como a ética, a honestidade, o espírito e a verdade desportiva. Eu acredito que o ciclismo vai sobreviver a mais esta prova e regressar mais forte do que nunca! E vocês?

 

Leiam também: